Medo de dirigir afeta 2 milhões de brasileiros e 75% são mulheres

Superar o medo digir está entre as metas de começo de ano de muita gente. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, dois milhões de brasileiros não dirigem por medo e as mulheres são maioria: 75% das pessoas com fobia de trânsito.

O motivo pode estar relacionado a diversas causas, como insegurança, falta de prática, impaciência, baixa autoestima, falta de instrução adequada ou até mesmo uma experiência anterior ruim relacionada ao trânsito.

A psicóloga Lídia Santos explica que a ação de dirigir demanda a assimilação de diversos conteúdos e comportamentos, processos que podem ser difíceis para algumas pessoas. “Dirigir requer reflexos rápidos e é um ato de grande responsabilidade, não só consigo, mas também com outras pessoas, o que pode aumentar a tensão”. Ainda segundo Lídia, as dificuldades cotidianas são os principais motivos que levam alguém a recorrer ao atendimento psicoterápico ou a buscar por empresas especializadas no preparo e treinamento de condutores.

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O treinamento para motoristas habilitados funciona de maneira diferente das aulas de autoescolas, segundo a instrutora de trânsito Flávia Espósito, que há 2 anos se dedica a este trabalho. “Minha missão é estimular os alunos, principalmente as mulheres, a descobrirem o prazer em dirigir. Depois de conhecer o histórico e identificar o grau de dificuldade da pessoa, faço um plano de aula. As primeiras aulas são em lugares tranquilos, até o aluno se familiarizar com o carro, depois vamos para trânsito”.

O treinamento é personalizado de acordo com o tempo disponível e as necessidades de cada aluno, mas mesmo assim alguns passos do aprendizado são padronizados para todos. “O aluno precisa passar por alguns exercícios específicos para adquirir habilidades que garantirão que ele possa dirigir bem, sabendo o que está fazendo e entendendo o que está acontecendo lá fora”, explica Flávia.

Entre as principais dificuldades identificadas no comportamento dos alunos estão as reduções de marchas, uso do freio de mão e trajetos com ladeiras. “Após entender e trabalhar as dificuldades do aluno, começo a segunda fase do treinamento, que é ensinar noção de espaço, suavidade com os pedais, manuseio do câmbio, e a serenidade para transitar em vias e locais de muito movimento”, explica.

Flávia também criou uma página no Facebook onde faz postagens de vídeos estimulando os alunos a dirigirem. “Meu lema é ‘dirigir é um prazer’, então sempre busco estimular quem tem medo a enfrentar este problema, tirar o carro da garagem e dirigir”, diz.

Depoimento de alunas

“Eu tenho medo de bater. Eu tenho medo de atropelar alguém. Eu tenho vergonha de acontecer alguma coisa e as pessoas ficarem olhando para mim”, conta Ivone Aparecida, 63 anos. Ela é habilitada há 30 anos, e dirigia uma Caravan, mas sempre desviava dos caminhos com ladeiras ou muitas curvas. Depois que seu marido trocou de carro, ela não conseguiu mais se adaptar a um novo veículo. “Fiquei 18 anos sem dirigir, pagava para renovar habilitação, mas deixava na gaveta. Todas as vezes que pensava em tirar o carro da garagem lembrava das ladeiras próximas à minha casa e desistia”, relata.

Em 2016, Ivone renovou a habilitação novamente, quando uma neta veio morar com ela e comprou um Fiat para incentivá-la a voltar a dirigir. “Me adaptei ao carro, comecei a conquistar confiança e tomei a decisão de voltar a dirigir. Depois de 16 aulas no treinamento para habilitados, Ivone diz se sentir segura para enfrentar o trânsito. “agora já pego até rodovia, sem medo de ser feliz”.

Já para Renata Facione, 37 anos, o maior problema em não dirigir era deixar de ir a muitos lugares. Ela chegou a recusar até trabalho por não dirigir. Habilitada há 18 anos, tomou a decisão de enfrentar o medo de dirigir há 2, quando resolveu entrar num consórcio de carro. “Se eu vou ter um carro, preciso dirigir, então, pedi o carro do meu pai emprestado e comecei as aulas”. Renata reforça que o principal ponto que a fez enfrentar o medo de dirigir foi perceber que tendo calma e atenção, conduzir um veículo não é um ‘bicho de sete cabeças’. Ela explica que começou indo a supermercados e farmácias perto de casa, e aos poucos foi se adaptando à nova realidade. “O trânsito é mais caótico na cabeça de quem tem medo do que na realidade cotidiana.”

Outro ponto importante para perder o medo de dirigir, segunda a aluna Renata, é pegar o carro todos os dias. “Ainda tenho receio de caminhos que não conheço, mas é preciso sempre enfrentar e ir com medo mesmo, afinal, como diz o ditado ‘a prática leva à perfeição’”.

Dirigir na avenida Jundiaí e no Centro eram grandes desafios para Renata, até que, após um pacote de 10 aulas, ela se sentiu preparada para enfrentar o trânsito. “Esse serviço é um investimento que vale a pena. No fim do treinamento fiz treinos de baliza e, para fechar com chave de ouro, até subi a tão temida rua São Bento”, conta.

Ao contrário de muitas mulheres, que dizem não receber apoio do marido para enfrentar o medo de dirigir, Márcia Lima, 35 anos, teve uma experiência diferente. “Sou habilitada há 7 anos e não tinha coragem de dirigir. Meu marido sempre me incentivou a enfrentar este medo e, com apoio dele, procurei o serviço de treinamento para habilitados. Há 1 ano estou dirigindo sozinha”, diz.

Márcia conta que nos primeiros dias enfrentou o trânsito muito nervosa, mas era um mal que precisava ser superado. “Eu ficava trêmula e muito nervosa só de pensar em sair com o carro.

Não acreditava que era possível dirigir com naturalidade, como vejo tanta gente fazer. Foi quando tomei a decisão de mudar isso. Hoje me sinto completa e independente. Vou para o trabalho de carro todos os dias e já fui para várias cidades vizinhas.”

Para Andriele Fernanda Gomes da Silva, 26 anos, dirigir significa liberdade. Habilitada há 5 anos, ela deixou o carro parado na garagem por 2 anos. Após recusar muitas baladas e encontro com as amigas por não ter carona, decidiu ‘conquistar sua liberdade’ “Fiz as aulas e já me sinto preparada para ir a qualquer lugar. Hoje, se for preciso, dirijo até o carro de outras pessoas”, conta a jovem.

Ela lembra que só o fato de pensar em dirigir era um verdadeiro filme de terror. “Era sentar atrás do volante que sentia até dor de barriga.” A jovem chegava a se xingar por não ter coragem de dirigir, quando um dia viu uma postagem de treinamento para habilitados no Facebook e combinou dia e horários para iniciar as aulas.

“Meu problema era autoconfiança mesmo e, com os incentivos durante a aula, acabei descobrindo que dirigir, além de essencial, pode ser prazeroso sim”, comenta.  Andriele reforça que pegar o carro em dias calmos, como domingos, pode ajudar quem está iniciando na direção. “Comecei com trechos pequenos, caminhos que já conhecia. A primeira vez que saí de Jundiaí fui para Várzea Paulista, pois o caminho não é tão complicado, e quando percebi, dirigir se tornou algo natural. Nem precisei de ajuda de psicólogo”.

Livro aponta erros que podem ser evitados

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Notícias como “Trânsito registra 296 mortes durante cinco anos em Jundiaí”, divulgada no último dia 30 de dezembro, podem ser um verdadeiro terror para quem tem medo de dirigir. Mas, a boa notícia é que, com atenção, prudência e cautela, boa parte dos acidentes pode ser evitada.

A especialista em psicologia e segurança no trânsito, Salete Romero, lançou em 2014 o livro “Erros Bem-Intencionados no Trânsito”, com o objetivo de mostrar que o motorista brasileiro não sabe o que pensa que sabe.

A autora também afirma que 95% dos acidentes de trânsito são evitáveis, e aponta em seu livro vários itens que podem causar um acidente sem que o motorista já considerado experiente perceba.

Treinamento – Para quem deseja buscar o treinamento para habilitados poderá contratar o serviço por meio da internet, em escolas especializadas em Jundiaí. O preço das aulas pode variar de R$ 50 a R$ 80 por hora, e há pacotes especiais, dependendo da quantidade de aulas que o aluno contratar.

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