Coworking: tudo o que você não pode deixar de saber

Já imaginou trabalhar num local que foge aos padrões “tradicionais” onde você encontra diversas empresas, compartilha conhecimentos e experiências e ainda aumenta seu networking? Na era do Capitalismo Informacional, que é provocado principalmente pela revolução tecnológica, os espaços de “coworking” ganham força para a construção do conhecimento e a troca de experiências, além de trazer uma dinâmica diferente para fatores socioeconômicos.

Um pouco da história 

O conceito de coworking começou a ser formado em 2003, quando Brad Neuberg iniciou um movimento chamado “Nine to Five Group”, que era um grupo de pessoas que se encontravam nos cafés de São Francisco e, eventualmente, trabalhavam em conjunto nesses momentos. Porém, o primeiro coworking oficial foi o San Francisco Coworking Space, localizado no Spiral Muse.

O que ajudou esse conceito a crescer foi o apoio de duas amigas de Neuberg, Chris Messina e Tara Hunt, que criaram a Cowork Wiki e depois o “Citizen Space”. Contudo, em 2005, num loft, surgiu o “Hat Factory”, um espaço maior que podia acomodar mais pessoas.

Entretanto, há relatos de que, em 2003, Neil Goldberg já havia feito esforços comerciais nesse sentido com a “Gate-3 Work Club”, no Vale do Silício, que era uma espécie de “comunidade”. Nessa tendência, também em 2005, no bairro de Islington, em Londres, Inglaterra, um grupo de amigos decidiu criar um “habitat para Inovação Social” para empreendedores. Essa ação deu origem ao Impact Hub, que se tornou uma rede global anos mais tarde e o primeiro desse estilo no Brasil.

Não é que pegou?

Esse modelo de trabalho compartilhado apresentou rápido crescimento e consegue manter os empreendedores cada vez mais envolvidos com o efeito que a economia criativa pode trazer. Tanto é que hoje, no mundo, de acordo com a Global Coworking Map, existem mais de 1500 espaços de coworking, que podem ser encontrados em mais de 817 cidades, em 102 países. Incrível, não?

Coworking no Brasil

Em 2007, em São Paulo, capital, o Impact Hub foi o primeiro espaço de coworking. Nos dias atuais, o trabalho nesses locais tem se tornado mais dinâmico e mostra que há muitas possibilidades de se moldar às necessidades, o que atrai cada vez mais pessoas por conta da infraestruturaque oferecem. Além de um espaço propício para a criatividade e interação.

No entanto, parte dessa “revolução” se deve aos avanços da tecnologia e da comunicação, no sentido de troca de informações, que possibilitam uma mudança significativa no sentido social e econômico. Podemos encontrar o fundamento desses conceitos em Manuel Castells e sua obra “A Sociedade Em Rede (1996)”, primeira parte da trilogia “Era da Informação: economia, sociedade e cultura”. Hoje, essa mudança está atrelada à Economia Criativae está presente principalmente no universo das startups e das consultorias.

Em 2015, no Brasil, principalmente em Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo, o modelo de negócio se fortaleceu e, em 2016, apresentou crescimento exponencial. Uma pesquisa realizada com 173 espaços pelo Ekonomio com apoio do Coworking Brasil revela que o número de posições de trabalho aumentou 54% em relação ao ano anterior. As salas de reuniões disponibilizadas aos “coworkers” subiu para 494, o que representa um aumento de 147%. Já o quesito salas privativas foi mais efetivo, obteve aumento de 588%, ambos em relação a 2015. Os dados apontam uma forte tendência que se concretiza ano após ano.

Ainda de acordo com a pesquisa, dos 173 participantes, 53 funcionam 24h por dia, outro dado expressivo, já que representa 130%, também em relação a 2015. Dentre as principais procuras que mantém espaços compartilhados de trabalho estão:

  • 73% em locação de posições de trabalho;
  • 61% nas locações de salas privativas;
  • 47% para salas de reunião e espaços para treinamentos e workshops.

Afinal, quais são as vantagens e diferenciais?

A grande vantagem de se trabalhar num coworking é que, além de poder encontrar pessoas de diversas áreas do saber, criando a possiblidade daformação de equipes multidisciplinares, há diversos diferenciais: um deles é sobre questões básicas do escritório como, por exemplo, limpeza, suprimentos, serviços de internet/ conveniência, impressões, recepcionista, etc.

Rodrigo Fuga, gerente de Marketing da Stepper Brasil, ressalta que, em meio à crise que atravessamos, os coworkings suprem outras lacunas principalmente referente à questão imobiliária. Segundo ele “dentro de um contexto de crise econômica acentuada muitas pessoas acabaram perdendo o emprego e/ou fazendo dívida. Por consequência muitos empreendedores tiveram que rever suas estruturas de custo e isso trouxe à tona duas oportunidades: reduzir custos e continuar operando em um escritório formalizado.”

“O compartilhamento, além da redução de custo, passa a promover a inovação dentro da empresa, além de trazer novos projetos, ideias, oportunidades, parceiros de negócios e clientes”, é o que explica Laura Gurgel, co-fundadora do Clube de Negócios.

Nesse sentido, “a possibilidade de novos projetos, às vezes, surge num bate-papo informal. Imagine uma bancada com 20, 30 pessoas de várias especialidades e, num momento “x” você consegue fazer uma venda que não era planejada, mas que surgiu pela necessidade das outras empresas que compartilham do mesmo espaço”, completa Rafael Brunohead of digital na Climatempo e sócio diretor na Agência Comunicas.

Ele ainda ressalta que “alugar um escritório é muito caro no que se refere ao aluguel em si, aos móveis, a parte de infraestrutura de rede, lousas, água e outros detalhes referentes aos ativos das empresas. Quem procura um coworking busca manter um custo fixo baixo, mas não só isso. Dependendo do espaço, o networking é muito vasto”, completa.

Coworking apenas nos grandes centros?

Há quem pense que os espaços de coworking estão presentes apenas nos grandes centros. Bem, isso não é verdade. Com a possiblidade de trabalhar sem ter que percorrer longas distâncias e de gerar novos negócios a poucos metros de você, essa “visão” tem mudado. Pedro Candido, empreendedor, seguiu nessa toada. Ele é o idealizador e sócio no projeto Chave Coworking, em Taboão da Serra, que deverá estar disponível aos coworkers até o fim desse ano. Ele diz que “a ideia da Chave é fomentar novos negócios e parcerias em Itapecerica da Serra, Embu das Artes e Taboão.” O intuito é “possibilitar o fácil acesso de empreendedores que moram na região, priorizar os negócios da comunidade e gerar mais empregos”, completa.

No final de 2016, Thamyra de Araújo redigiu um artigo sobre a Casa Brota, primeiro espaço de coworking do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, que é composto por um grupo de amigos moradores de favelas localizadas em diferentes zonas da cidade e que realizam trabalhos significativos relacionados à tecnologia, criatividade, arte e comunicação. Eles resolveram combinar suas inspirações individuais para projetar um espaço de criação coletivo e colaborativo.

Para finalizar, no dia 11 de agosto, uma sexta-feira, ocorrerá a maior festa mundial nesse sentido: o coworking day, que é celebrado mundialmente por milhares de espaços espalhados pelo mundo para comemorar de diversas maneiras a criação de Brad Neuberg. Só para ter uma ideia, em 2016, chegou na marca de mais de 150 espaços cadastrados e 350 coworkers inscritos em todo o Brasil. Ou seja, uma ótima oportunidade para conhecer mais sobre essa ideia, seus benefícios e fazer o que todos nós, empreendedores, mais amamos: networking.

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Sobre a Locaoffice

Fundada em 2016, a Locaoffice é uma startup focada em anunciar espaços comerciais compartilhados. Nós facilitamos a conexão entre empreendedores que buscam um lugar para desenvolver seus projetos e os proprietários de espaços ociosos.

João Miliozzi é jornalista e redator.

FONTES:

https://coworkingmap.org/

https://coworkingbrasil.org/censo/

http://saopaulo.impacthub.com.br/historia-em-sp/

https://web.archive.org/web/20040618212514/http:/www.gate-3.com/what.php

http://thinkbigcoworking.com/tag/spiral-muse/

http://citizenspace.us/

http://codinginparadise.org/coworking/

https://coworkingbrasil.org/spaces/clube-de-negocios/

https://aprender.ead.unb.br/pluginfile.php/304257/course/section/74926/A%20sociedade%20em%20rede.pdf

http://www.zahar.com.br/autor/manuel-castells

http://chavecoworking.com.br/

http://www.almapreta.com/editorias/realidade/primeiro-coworking-complexo-alemao-inaugurado-neste-sabado

http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2016-12/complexo-de-favelas-no-rio-ganha-espaco-de-coworking-para-empreendedoresore

http://chavecoworking.com.br

http://coworkingday.com.br/

1 comentário Adicione o seu

  1. Excelente texto! Adoro o estilo do Miliozzi. Grande parceria Conceição!

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